1977, 26 de Julho: o Museu Nacional do Traje abria, pela primeira vez, as suas portas ao público.

Era Primeiro-Ministro Mário Soares que, acompanhado pelo seu secretário de Estado da Cultura de então – David Mourão-Ferreira – procedeu à inauguração do Museu e das suas exposições.

Vivia-se o curto tempo do I Governo Constitucional que tem em 1977, um ano de intensa atividade legislativa – no âmbito do ensino e do ensino de português no estrangeiro, dos direitos laborais e das associações sindicais, da defesa da democracia e da liberdade e do direito de oposição, da delimitação dos sectores público e privado, da reforma agrária, das autarquias e do poder local, do fomento externo e do comércio interno e das infraestruturas viárias ou de saneamento básico. É o ano em que são criados o Gabinete Coordenador do Alqueva e a Comissão de Integração Europeia e também em que é aprovado o Estatuto do Provedor de Justiça

O traje reflete criação e estética, inovação e tecnologia, posição e pertença. Reflete a socialização e a individualização, é uma forma de afirmação da pessoa e do indivíduo perante o outro e os outros – a sociedade, o grupo em que se insere e reconhece. Mais permeável à moda e ao gosto transitório, ou demonstrativo de uma moda a que se tem acesso ou a que se aspira, o traje é e foi sempre um elemento identificador e definidor.

Por isso se considerou pertinente, no ano em que se assinalam os 40 anos de um governo que foi o primeiro governo constitucional da nossa época e os 40 anos da revisão do Código Civil mas também os 40 anos da introdução da Coca-cola em Portugal, revisitar 1977 através da memória que o Museu Nacional do Traje conserva desse ano, seja nas suas coleções de traje e acessórios, seja nas revistas e jornais ou mesmo através das imagens que documentam a sua inauguração.